Mulheres e uso de substâncias: olhar sem julgamento
Como vulnerabilidade, violência e uso de drogas se conectam — e onde buscar apoio.
Pesquisas com mulheres em comunidades terapêuticas mostram que o uso de substâncias raramente vem sozinho. Quase sempre há, antes dele, violências, abandono e falta de rede. Por isso, cuidar exige acolhimento, não punição.
O que a ciência mostra
- A maioria das mulheres usuárias viveu violência na infância, na adolescência ou no relacionamento atual.
- Muitas usam substâncias como forma de anestesiar a dor.
- O estigma faz com que cheguem aos serviços muito mais tarde que os homens.
- Mulheres usuárias sofrem mais violência sexual e perdem a guarda dos filhos com mais frequência.
Onde buscar ajuda
- CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) — gratuito, sem precisar de encaminhamento.
- UBS — pode iniciar o cuidado e encaminhar.
- Comunidade terapêutica específica para mulheres, quando indicada.
- Grupos de apoio (AA, NA, grupos de mulheres) — gratuitos.
Cuidados de redução de danos
Se o uso continua, alguns cuidados protegem:
- Nunca usar sozinha.
- Hidratar e comer.
- Não misturar substâncias.
- Ter contato de emergência salvo.
Para quem ama alguém que usa
- Acolha sem julgar.
- Informe sobre CAPS AD.
- Cuide também de você (Al-Anon, Nar-Anon são grupos para familiares).
- Saiba que recaída faz parte do processo — não é fracasso.
Uso de substâncias é questão de saúde, não de moral. Acolhimento abre porta; julgamento fecha.
Política de redução de danos
O SUS adota redução de danos desde 2003: respeita o tempo de cada pessoa, sem exigir abstinência imediata para começar o cuidado.
Você não é o seu uso
O que você usou ou usa não define quem você é. Você é uma mulher inteira, com história, com força — e com direito a cuidado.
Para saber mais
Referências bibliográficas e leituras recomendadas.
- 1Ribas, P. G. L.; Lourenço, A.; Silva, T. M. G. da (2025). "O crack é uma experiência emocionante": narrativa das vulnerabilidades e feminilidades de uma ex-usuária. Revista do NUPEM, v. 17.
- 2Ribas, P. G. L.; Silva, T. M. G. da; Lara, A. M. B.; Silva, J. L. (2024). Perfil de mulheres em comunidades terapêuticas e impactos multidimensionais do uso de substâncias psicoativas. Interfaces Científicas - Saúde e Ambiente, v. 9.
- 3Silva, T. M. G. da; Grigório, C. C.; Bernuci, M. P. (2024). Contribuições da história de vida de mulheres para promover a igualdade de gênero e autoestima de meninas. Revista de Estudos Interdisciplinares. Acessar
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